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sábado, 31 de julho de 2010

Mano Preto

Mano Preto chegava meio chapado na enseado do rio das Velhas. Sorria para alguns pescadores, beijava uma árvore e ajoelhava para rezar.
Mano Preto aprendeu na marra a ter que agradecer a Deus. Parecia caso de ficção,mas Mano Preto dizia ser reencarnação de Napoleão.
As vezes fazia greve de fome, outras vezes vomitava de tanto comer.
Fumava sempre um cigarro barato que comprava na feira de domingo.
Fedia uma catinga característica. Não costumava tomar banho.
Era do mundo. Era nômade.
Conheceu o crack por intermédio de outro neguinho, cujo apelido era Pastoreio.
Certa vez fumou uma pedra e entrou num táxi, gritou com o motorista, riu com ele. Mandou que seguisse placas imaginárias.
Comprou um revólver para ele. Queria mesmo era brincar de dar tiros. Não em pessoas, é bom deixar isso bem claro. Mano Preto tinha um bom coração.
Sempre que terminava de rezar, Mano Preto olhava para o rio:-'' Iara tá me chamando!'', sempre dizia e pulava dentro d'água.
Mano Preto não morria afogado! O desgraçado é um exímio nadador.

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